Uma equipe formada por estudantes da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), campus Itabira, conquistou o primeiro lugar em uma competição internacional de foguetes e transformou um projeto acadêmico em motivo de comemoração. O protagonista da conquista foi o “Zezé”, foguete desenvolvido pela Equipe Falcon que atingiu 500 metros de apogeu, marca estabelecida para a categoria disputada.
O resultado foi celebrado pelo prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, durante encontro com integrantes da universidade, professores e estudantes envolvidos no projeto. Segundo ele, a competição reuniu participantes de diferentes países, incluindo China, Coreia, México e representantes da América Latina.
A conquista chama atenção também por uma particularidade: segundo o prefeito, a Unifei em Itabira não possui um curso específico de Engenharia Aeroespacial. O trabalho foi construído de forma multidisciplinar, reunindo estudantes de diferentes cursos de engenharia.
“Zezé” faz referência a Carlos Drummond de Andrade
O nome escolhido para o foguete vencedor carrega uma ligação com a história cultural de Itabira. “Zezé” faz alusão ao poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade, lembrado pela célebre expressão “E agora, José?”.
De acordo com Marco Antônio Lage, o foguete alcançou os 500 metros de apogeu previstos para a competição e obteve o melhor resultado entre os projetos da categoria.
“Esse foguete aqui, o Zezé, subiu 500 metros. Nenhum foguete dessa categoria, de todas as universidades do mundo que participaram desse evento em São Paulo, atingiu este apogeu”, afirmou o prefeito.
Lage também destacou a organização interna da Falcon. Segundo ele, os estudantes estruturaram o projeto de maneira semelhante ao funcionamento de uma empresa, envolvendo planejamento, organização, finanças, recursos humanos e desenvolvimento técnico.
Projeto reúne estudantes de diferentes engenharias
Para o prefeito, a experiência demonstra a capacidade de formação e desenvolvimento tecnológico existente dentro da universidade, mesmo sem uma graduação especificamente dedicada à área espacial.
A conquista também foi relacionada por Lage aos desafios futuros da engenharia brasileira, especialmente nas áreas de pesquisa, desenvolvimento tecnológico, terras raras e minerais críticos.
Segundo ele, a formação de novos engenheiros será importante para desenvolver tecnologias capazes de agregar maior valor aos minerais estratégicos e ampliar a participação do município e do país em setores tecnológicos.
Conhecimento chega às escolas municipais
O trabalho da Falcon não permanece apenas dentro da universidade. A equipe também mantém iniciativas de extensão voltadas à integração com estudantes e professores das escolas municipais.
O professor de Ciências Pablo Quintão explicou que integrantes da Falcon participam da formação de professores e auxiliam em projetos de lançamento de foguetes feitos com garrafas PET, além de promover oficinas destinadas aos alunos.
A orientadora Gabriela da Fonseca, da Falcon 6, confirmou que existe dentro da equipe uma área específica dedicada a essa aproximação.
“A Equipe FALCON tem um setor de extensão, específico para essa integração com a cidade de Itabira”, afirmou.
Para a secretária municipal de Educação, Rejane Penna, a aproximação entre universidade e escolas também pode influenciar a maneira como os estudantes enxergam o próprio futuro.
“Isso serve de motivação para os nossos alunos, tanto de atualização dos seus conhecimentos, como de pensar o seu futuro, através da inovação da própria tecnologia.”
Próxima meta é chegar a 1 quilômetro
Depois da conquista com o Zezé, a equipe já estabeleceu um objetivo mais ambicioso.
Questionada pelo prefeito sobre o próximo desafio, Jennifer Gandra, fundadora da Falcon 6 e gerente de Gestão de Projetos, revelou que o grupo pretende dobrar a altitude alcançada pelo foguete vencedor.
“O próximo desafio é a gente fazer um foguete que vai alcançar um quilômetro de apogeu, e também fazer um satélite em uma das categorias da competição, Latin American Space Challenge”, explicou.
A nova meta representa um salto dos atuais 500 metros para 1.000 metros de apogeu, além do desenvolvimento de um satélite para participação em outra categoria da competição.
Ao encerrar o encontro, Marco Antônio Lage parabenizou os integrantes da equipe e demonstrou confiança no próximo projeto: “E vão conseguir, vocês estão de parabéns.”
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Conteúdo original do Portal Minas em Dia.
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Fonte:
https://minasemdia.com.br
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