Uma manifestação apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamou atenção não apenas pelo conteúdo jurídico, mas também por uma curiosidade na redação do documento: ao mencionar o aplicativo WhatsApp, o ministro utilizou grafias como “Whatzap” e “Whatzaap”.
O documento de 44 páginas e 121 tópicos foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, no contexto da controvérsia envolvendo informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e analisadas pela Polícia Federal. Moraes contesta a metodologia utilizada no relatório e nega irregularidades.
A grafia incomum aparece justamente em uma das passagens mais enfáticas da manifestação. A imagem do documento mostra Moraes afirmando que, das 52 notas analisadas, 47 não teriam sido localizadas na área de conversas do aplicativo.
A reprodução do documento publicada pela imprensa confirma que foram utilizadas duas formas diferentes: “WHATZAAP” e, logo depois, “WHATZAP”. Ambas diferem do nome oficial do aplicativo, WhatsApp.
Erro aparece em trecho central da argumentação
Apesar da curiosidade ortográfica, o ponto juridicamente relevante da passagem é outro.
Moraes argumenta que a Polícia Federal teria relacionado textos encontrados no aplicativo de notas do iPhone de Vorcaro a possíveis mensagens no WhatsApp principalmente pela proximidade dos horários dos registros.
Segundo a manifestação do ministro, 47 das 52 anotações, ou aproximadamente 90,4%, não foram localizadas em conversas do WhatsApp. A defesa usa esse número para sustentar que grande parte das associações feitas no relatório seria baseada em inferências, e não na localização das mensagens correspondentes.
Nos outros cinco casos, Moraes argumenta que a coincidência temporal também não seria suficiente para determinar com segurança o destinatário, confirmar que o conteúdo enviado era exatamente o mesmo da anotação ou estabelecer se a mensagem foi efetivamente visualizada. Essa é a argumentação apresentada pelo próprio ministro e não uma conclusão independente sobre a validade do relatório policial.
Moraes nega existência dos diálogos atribuídos a ele
Na mesma manifestação, Moraes sustenta que os supostos diálogos entre ele e Vorcaro não existiram da maneira como teriam sido apresentados.
O ministro afirma que não haveria mensagem de sua autoria no material que demonstrasse consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento antecipado de operação policial. Ele também questiona a cadeia de custódia e a metodologia empregada na produção do relatório.
Há, porém, uma controvérsia factual mais ampla. Documentos da investigação tornados públicos anteriormente incluem registros que a PF relacionou a um contato salvo no aparelho de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, além de outras referências analisadas pelos investigadores. Moraes contesta as conclusões extraídas desse material.
Por isso, é importante separar os dois pontos: a existência de elementos e registros analisados pela investigação é documentada; a interpretação de que determinados textos constituiriam mensagens ou diálogos com Moraes é justamente um dos pontos contestados pelo ministro.
“Whatzap” ou WhatsApp: qual é o correto?
Nesse aspecto não existe controvérsia: a grafia oficial é WhatsApp.
Portanto, “Whatzap” e “Whatzaap”, conforme aparecem na manifestação reproduzida pela imprensa e na página apresentada, são grafias incorretas do nome do aplicativo.

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Conteúdo original do Portal Minas em Dia.
Reprodução sem autorização não é permitida.
Fonte:
https://minasemdia.com.br
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