Um planeta localizado a apenas 25 anos-luz do Sistema Solar ganhou destaque entre os mundos mais promissores para futuras investigações sobre habitabilidade fora da Terra. Chamado GJ 3378b, o exoplaneta tem pouco mais que o dobro da massa terrestre e orbita uma estrela anã vermelha em uma região onde as temperaturas podem permitir a existência de água líquida.
A proximidade em termos astronômicos, combinada às novas estimativas de massa e órbita, torna o planeta especialmente interessante para os cientistas. Isso, porém, não significa que água ou vida tenham sido encontradas. O que os pesquisadores identificaram são condições que justificam observações mais detalhadas nos próximos anos.
Uma super-Terra na vizinhança cósmica
O GJ 3378b está localizado a aproximadamente 7,7 parsecs, ou cerca de 25 anos-luz da Terra, e pertence à categoria conhecida como super-Terra — denominação utilizada para planetas mais massivos que o nosso, mas menores que gigantes como Netuno.
Uma nova análise liderada pelo astrônomo Paul Robertson, da Universidade da Califórnia em Irvine, estabeleceu a massa mínima do planeta em aproximadamente 2,3 vezes a massa da Terra.
Esse resultado é particularmente importante porque estimativas anteriores apontavam uma massa superior, próxima de cinco Terras. Quanto menor a massa, maior a possibilidade de o GJ 3378b ser predominantemente rochoso, em vez de possuir uma extensa camada gasosa semelhante à encontrada em planetas do tipo mini-Netuno.
O trabalho foi publicado em junho de 2026 no periódico científico The Astrophysical Journal.
Um ano por lá dura apenas 21,5 dias
As novas observações também permitiram revisar a órbita do planeta.
O GJ 3378b completa uma volta ao redor de sua estrela em aproximadamente 21,45 dias terrestres. Isso significa que um “ano” nesse mundo dura apenas três semanas para os padrões da Terra.
Apesar da proximidade entre o planeta e sua estrela, existe uma diferença fundamental: GJ 3378 é uma anã vermelha, menor, mais fria e menos luminosa que o Sol.
Por isso, a chamada zona habitável fica muito mais próxima da estrela.
O planeta recebe aproximadamente 90% da quantidade de radiação estelar que a Terra recebe do Sol, colocando-o em uma região onde, dependendo das características de sua atmosfera, temperaturas compatíveis com água líquida podem existir.
Mas existe água no planeta?
Ainda não é possível afirmar.
Estar na zona habitável significa apenas que a distância entre planeta e estrela pode permitir temperaturas adequadas para água líquida. Para isso ocorrer efetivamente, outros fatores são fundamentais, principalmente a existência e a composição de uma atmosfera.
Os pesquisadores ainda precisam descobrir, por exemplo, se o GJ 3378b possui atmosfera suficiente para conservar calor e água em sua superfície.
Há também uma preocupação importante envolvendo as anãs vermelhas.
Essas estrelas podem apresentar intensa atividade e emitir radiação capaz de afetar ou até remover gradualmente a atmosfera de planetas próximos.
Portanto, o GJ 3378b pode reunir características interessantes para habitabilidade e, ao mesmo tempo, enfrentar condições extremamente hostis.
Como os cientistas estudaram o GJ 3378b
A revisão das características do planeta utilizou medições extremamente precisas do movimento de sua estrela.
Entre os instrumentos empregados estão o Habitable-zone Planet Finder (HPF), instalado no Hobby-Eberly Telescope, no Observatório McDonald, no Texas, e observações realizadas com o telescópio WIYN, no Arizona.
A técnica utilizada mede pequenas alterações na velocidade da estrela provocadas pela atração gravitacional exercida pelo planeta.
A influência do GJ 3378b sobre sua estrela é extremamente discreta: o sinal medido está na faixa de aproximadamente 1,3 metro por segundo.
A combinação de observações feitas por diferentes instrumentos permitiu aos pesquisadores revisar tanto a massa quanto o período orbital do planeta.
25 anos-luz é perto?
Para uma viagem humana, não.
Um ano-luz corresponde à distância percorrida pela luz durante um ano. Como nenhuma tecnologia espacial atual se aproxima da velocidade da luz, uma eventual viagem até o sistema levaria um período extraordinariamente longo.
Astronomicamente, entretanto, 25 anos-luz é considerado muito próximo.
A Via Láctea possui aproximadamente 100 mil anos-luz de diâmetro. Nesse contexto, o sistema GJ 3378 está praticamente em nossa vizinhança galáctica.
Essa proximidade é justamente uma das características que tornam o planeta tão interessante para futuras observações.
Próxima geração de telescópios poderá investigar sua atmosfera
Um dos grandes objetivos da astronomia nas próximas décadas é conseguir analisar diretamente atmosferas de planetas rochosos próximos.
Entre os projetos mais ambiciosos está o Habitable Worlds Observatory (HWO), conceito de futuro telescópio espacial da NASA projetado especificamente para procurar e caracterizar mundos potencialmente habitáveis.
Um instrumento dessa categoria poderá ajudar a determinar se planetas próximos como o GJ 3378b possuem atmosfera e quais gases estão presentes nela.
É somente com esse tipo de investigação que os astrônomos poderão avançar para uma das questões mais importantes: existem realmente condições para vida nesse mundo?
Por enquanto, não há evidência de organismos, oceanos ou mesmo de uma atmosfera no GJ 3378b. O que existe é um planeta relativamente próximo, com massa compatível com uma super-Terra e situado em uma região favorável para futuras investigações sobre água líquida.
E isso já é suficiente para colocá-lo entre os mundos que merecem atenção especial na busca por ambientes potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar.
Fonte de apuração: Forbes Japan e estudo científico publicado no The Astrophysical Journal / Portal Minas em Dia
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