terça-feira, julho 28, 2026
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Prefeitura manda parar operações da Vale, CSN, Gerdau e Ferro+ após nuvem de poeira em MG

Entenda por que quatro mineradoras foram obrigadas a interromper atividades em Congonhas / Divulgação: Prefeitura Municipal de Congonhas

Congonhas (MG) viveu um dos episódios mais críticos relacionados à qualidade do ar dos últimos anos neste domingo (12). Após a formação de intensas nuvens de poeira provocadas por ventos fortes, tempo seco e elevada emissão de material particulado, a Prefeitura determinou a paralisação temporária das atividades das mineradoras CSN, Vale, Ferro+ e Gerdau, responsáveis por mais de 96% das emissões desse tipo de poluente no município.

A decisão foi tomada depois que as estações municipais de monitoramento registraram concentrações de material particulado que chegaram a quatro vezes o limite estabelecido pela legislação brasileira, elevando significativamente os riscos à saúde da população e ao meio ambiente.

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Segundo o município, as empresas foram notificadas oficialmente e obrigadas a interromper as operações até que as condições climáticas melhorassem e medidas emergenciais fossem executadas.


A Prefeitura informou que a situação não foi inesperada. Desde antes do início do período de estiagem, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas vinha adotando diversas ações preventivas para minimizar os impactos da seca sobre a qualidade do ar.

Entre as medidas adotadas estavam:

  • exigência dos Planos de Preparação para a Estação Seca;
  • reuniões técnicas com as principais mineradoras;
  • notificações formais reforçando medidas de controle ambiental;
  • alertas sobre previsão de ventos intensos;
  • solicitação de intensificação da umidificação de vias e pilhas de minério.

O município destaca que, em 23 de junho, já havia expedido ofício alertando sobre o início do período crítico da estiagem, além dos possíveis efeitos do fenômeno Super El Niño, que contribui para condições mais secas e ventos intensos em diversas regiões.

Nos dias seguintes, novos comunicados reforçaram a necessidade de ampliar as ações preventivas.

Mesmo assim, as condições meteorológicas registradas neste domingo favoreceram a formação das grandes nuvens de poeira.


Diante da gravidade do cenário, foi expedido um novo ofício determinando a suspensão temporária das atividades das mineradoras.

Durante a fiscalização realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, foi constatado que as empresas atenderam à determinação e interromperam as operações.

Posteriormente, já no início da noite, após:

  • redução da intensidade dos ventos;
  • intensificação da umidificação das vias;
  • melhora das condições ambientais,

as atividades foram retomadas.

Mesmo com a retomada, as empresas permanecem obrigadas a apresentar um relatório técnico detalhado, descrevendo todas as ações executadas durante o episódio para reduzir a emissão de poeira e evitar novos eventos semelhantes.


Na manhã desta segunda-feira (13), equipes de fiscalização ambiental retornaram às áreas minerárias para verificar:

  • cumprimento das determinações;
  • funcionamento dos sistemas de controle de poeira;
  • novas medidas preventivas;
  • planejamento das empresas para o restante do período seco.

O município informou que novas inspeções poderão ocorrer a qualquer momento.

Caso sejam identificados descumprimentos das determinações, poderão ser adotadas medidas administrativas previstas na legislação vigente.


O secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Luís Lobo, afirmou que existe uma limitação importante na legislação atual para responsabilizar empresas em episódios como o ocorrido.

Segundo ele, a regulamentação federal considera médias de concentração de material particulado ao longo de 24 horas.

Entretanto, episódios críticos costumam ocorrer durante períodos muito menores — de três ou quatro horas —, justamente quando os impactos à saúde da população são mais severos.

Na avaliação do secretário, esse modelo faz com que muitos episódios graves acabem não ultrapassando os limites legais quando analisados pela média diária, reduzindo a possibilidade de aplicação de penalidades.

Essa situação, segundo ele, evidencia a necessidade de atualização da legislação ambiental para municípios com intensa atividade minerária.


Além das ações emergenciais, a Prefeitura anunciou uma iniciativa regional.

O município encaminhou convite oficial às prefeituras de:

  • Itabira;
  • Conceição do Mato Dentro;
  • Ouro Preto;
  • Itabirito;
  • Nova Lima.

O objetivo é construir uma agenda conjunta voltada ao aperfeiçoamento da legislação ambiental aplicada aos municípios mineradores, além da criação de políticas públicas mais eficientes para monitoramento da qualidade do ar e controle das emissões atmosféricas.

A proposta busca fortalecer a atuação dos municípios diante de desafios comuns enfrentados em regiões onde a mineração possui grande relevância econômica.


A principal preocupação em episódios como o registrado em Congonhas é o aumento da concentração de material particulado (MP), formado por partículas extremamente pequenas que permanecem suspensas no ar.

Essas partículas podem penetrar profundamente no sistema respiratório, aumentando o risco de:

  • crises de asma;
  • bronquite;
  • rinite alérgica;
  • agravamento de doenças pulmonares;
  • complicações cardiovasculares;
  • irritação nos olhos e vias respiratórias.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas estão entre os grupos mais vulneráveis.

Durante períodos de baixa umidade e ventos fortes, especialistas recomendam evitar atividades físicas intensas ao ar livre, manter boa hidratação e acompanhar os índices de qualidade do ar.


No inverno em Minas Gerais, a combinação de baixa umidade, ausência de chuvas e ventos mais intensos favorece a suspensão de partículas presentes em estradas, pilhas de minério e áreas de operação.

Sem a ação da chuva para fixar essas partículas ao solo, elas permanecem em circulação por mais tempo, reduzindo a visibilidade e comprometendo significativamente a qualidade do ar.

Por isso, sistemas de aspersão de água, umidificação de vias, cobertura de pilhas de minério e monitoramento meteorológico são considerados medidas essenciais para reduzir esse tipo de impacto.


Prefeitura reforça monitoramento

A Prefeitura de Congonhas informou que continuará acompanhando diariamente as condições meteorológicas e os índices de qualidade do ar durante todo o período de estiagem.

O município também afirmou que seguirá fiscalizando as operações das mineradoras e cobrando medidas preventivas para evitar novos episódios de dispersão de poeira, ao mesmo tempo em que busca fortalecer, junto a outras cidades mineradoras de Minas Gerais, mudanças na legislação ambiental para ampliar a proteção da população e do meio ambiente.

Conteúdo original do Portal Minas em Dia.
Reprodução sem autorização não é permitida. Fonte:
https://minasemdia.com.br

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