A Vale apresentou seu primeiro Relatório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), documento que reúne, pela primeira vez, os principais investimentos, projetos, parcerias e resultados voltados à transformação tecnológica da mineração. A publicação mostra como ciência, inovação e sustentabilidade passaram a ocupar posição estratégica na companhia para enfrentar desafios ligados à segurança operacional, eficiência produtiva, redução dos impactos ambientais e apoio à transição energética global.
O relatório consolida um dos maiores programas de inovação do setor mineral e evidencia como tecnologias como inteligência artificial, automação, mineração circular e soluções de descarbonização já estão sendo aplicadas em diversas etapas da cadeia produtiva.
Investimento ultrapassa R$ 3,7 bilhões em um único ano
Segundo a Vale, os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação alcançaram US$ 685 milhões em 2025, o equivalente a aproximadamente R$ 3,78 bilhões.
O portfólio da companhia reúne atualmente mais de 350 projetos ativos, apoiados por 16 hubs próprios de inovação, além de uma ampla rede de colaboração com universidades e centros de pesquisa.
A empresa informou ainda que destinou mais de R$ 38,4 milhões para bolsas de pesquisa vinculadas a projetos de inovação desenvolvidos em instituições acadêmicas e outros R$ 10 milhões para infraestrutura científica.
Mineração do Futuro integra tecnologia e sustentabilidade
O documento apresenta a visão da empresa para a chamada Mineração do Futuro, conceito baseado na integração entre ciência, análise de dados, inteligência artificial, automação industrial e processos produtivos de menor impacto ambiental.
A estratégia contempla toda a cadeia mineral, desde a pesquisa geológica e exploração de jazidas até operações em minas, usinas, ferrovias, portos, transporte marítimo e fornecimento de produtos para a indústria siderúrgica.
Segundo a Vale, a transformação busca elevar os padrões de produtividade ao mesmo tempo em que reduz emissões de carbono, otimiza recursos naturais e fortalece cadeias produtivas mais resilientes.
Inteligência artificial já faz parte das operações
Entre os destaques do relatório está a utilização crescente da inteligência artificial nas operações industriais.
A companhia informa possuir mais de 45 soluções baseadas em IA distribuídas em diferentes áreas da empresa.
Essas tecnologias são utilizadas para:
- prever condições climáticas;
- apoiar decisões operacionais nas minas;
- monitorar ativos críticos;
- otimizar operações ferroviárias e marítimas;
- reduzir consumo de combustíveis e insumos;
- aumentar a previsibilidade logística;
- fortalecer a segurança operacional.
Entre os projetos apresentados estão:
- MinAInteligente, voltado à eficiência operacional nas minas;
- SabIA, plataforma de inteligência artificial generativa para pesquisas em exploração mineral;
- PelotAInteligente, destinada à otimização da produção de pelotas e redução do consumo de gás natural;
- VESO, ferramenta que simula produção, custos e emissões para apoiar decisões relacionadas à descarbonização.
Mais de 90 equipamentos autônomos operam no Brasil
A automação também ocupa papel central na estratégia apresentada pela empresa.
Atualmente, a Vale possui mais de 90 equipamentos autônomos em operação no Brasil, incluindo caminhões fora de estrada, perfuratrizes e máquinas utilizadas em pátios industriais.
Segundo a companhia, a adoção dessas tecnologias aumenta a segurança ao retirar profissionais de áreas de maior risco e amplia a eficiência por meio da integração de sistemas digitais e análise contínua de dados.
A transformação tecnológica também impacta diretamente a qualificação profissional.
Cerca de 300 postos de trabalho passaram por processos de adaptação, permitindo que empregados fossem capacitados para atuar em novas funções e na interação com equipamentos autônomos.
Mina de Capanema se torna referência da nova mineração
Um dos principais cases apresentados pela Vale é a Mina de Capanema, localizada em Ouro Preto (MG).
Retomada após permanecer aproximadamente 22 anos paralisada, a operação foi concebida dentro dos novos conceitos de mineração sustentável.
Entre suas principais características estão:
- operação totalmente autônoma;
- processamento a seco;
- ausência de uso de água no beneficiamento;
- inexistência de barragens de rejeitos;
- reaproveitamento de minério presente em antigas pilhas de estéril.
Segundo a empresa, o projeto representa um dos exemplos mais completos da aplicação prática dos conceitos da Mineração do Futuro.
Economia circular ganha espaço na produção
Outro eixo estratégico destacado pela companhia é a mineração circular.
Em 2025, a Vale produziu 26,3 milhões de toneladas de minério de ferro provenientes de fontes circulares, volume equivalente a aproximadamente 8% da produção total, mais que o dobro registrado no ano anterior.
A meta estabelecida pela empresa é elevar esse percentual para 10% da produção anual até 2030.
O Programa de Mineração Circular reúne mais de 100 iniciativas, incluindo:
- reaproveitamento de rejeitos e estéreis;
- produção de areia sustentável;
- fabricação de blocos utilizando materiais reaproveitados;
- desenvolvimento de novos insumos para cadeias produtivas.
Tecnologia também transforma logística e transporte
A inovação apresentada pela Vale ultrapassa os limites das minas.
O relatório mostra projetos voltados à modernização das operações ferroviárias, portuárias e marítimas, com foco em segurança, eficiência logística e redução das emissões de gases de efeito estufa.
Entre as iniciativas destacadas estão:
- drones para amarração de navios no Porto Norte, em São Luís (MA);
- locomotivas equipadas com painéis solares na Estrada de Ferro Carajás;
- sistema AIFleet para gestão de frotas;
- programa Ecoshipping;
- utilização da plataforma VESO para planejamento operacional.
Soluções também beneficiam a indústria do aço
Na etapa final da cadeia produtiva, a Vale destaca tecnologias desenvolvidas para reduzir a pegada de carbono da siderurgia.
Os briquetes de minério de ferro produzidos pela empresa possuem potencial para reduzir até 10% das emissões de gases de efeito estufa durante a produção do aço.
Já os chamados Mega Hubs, modelo logístico e industrial desenvolvido pela companhia, podem proporcionar reduções de até 70% nas emissões em comparação aos processos tradicionais.
Inovação passa a integrar a estratégia de longo prazo
Ao lançar seu primeiro relatório dedicado exclusivamente à pesquisa, desenvolvimento e inovação, a Vale reforça que a tecnologia deixou de ser apenas um instrumento de apoio operacional para se tornar um dos pilares estratégicos da companhia.
A publicação evidencia uma mineração cada vez mais baseada em inteligência artificial, automação, sustentabilidade e economia circular, sinalizando como esses investimentos deverão influenciar a competitividade do setor mineral e contribuir para uma produção mais eficiente, segura e alinhada às demandas globais por redução de emissões e transição energética.
O relatório completo pode ser acessado aqui.
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Conteúdo original do Portal Minas em Dia.
Reprodução sem autorização não é permitida. Fonte:
https://minasemdia.com.br
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