O plano dos Estados Unidos de ampliar a presença de drones militares na América do Sul provocou preocupação dentro do governo brasileiro. Segundo informações divulgadas pela CNN nesta sexta-feira (18), integrantes da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanham a movimentação diante de possíveis impactos sobre a soberania e a segurança regional.
Os equipamentos envolvidos são do modelo MQ-9 Reaper, aeronaves remotamente pilotadas capazes de realizar missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, além de ataques de precisão.
Segundo seis fontes familiarizadas com o planejamento ouvidas pela CNN, drones atualmente vinculados ao comando militar americano responsável pela África deverão ser transferidos para o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), cuja área de responsabilidade inclui a América Latina e o Caribe. Uma das possibilidades consideradas é deslocar a maioria dos MQ-9 atualmente ligados ao comando africano.
Ainda não foi divulgado oficialmente o número de aeronaves que será transferido.
Combate ao narcotráfico está entre os objetivos
A movimentação faz parte dos preparativos americanos para novas operações antidrogas e antiterrorismo na região, realizadas em cooperação com países latino-americanos.
O Equador aparece entre os possíveis locais de atuação. Os Estados Unidos vêm ampliando a cooperação militar com governos da região no enfrentamento a organizações criminosas.
O MQ-9 chama atenção justamente por reunir diferentes capacidades em uma mesma plataforma. Além de permanecer por longos períodos realizando vigilância, o equipamento pode coletar informações de inteligência e, quando configurado para isso, executar ataques de precisão.
Brasil teme possível espionagem
No Brasil, entretanto, a movimentação despertou outro tipo de preocupação.
Segundo apuração da CNN Brasil, integrantes do governo Lula avaliam o assunto sob duas perspectivas. Uma delas é o risco de que os equipamentos sejam utilizados para espionagem contra o Brasil ou atravessem fronteiras, o que poderia gerar questionamentos relacionados à soberania nacional.
Também existe preocupação em Brasília com a possibilidade de operações terrestres negociadas entre Washington e países vizinhos.
A diplomacia brasileira, de acordo com a reportagem, defende que a América do Sul seja mantida como uma zona de paz e acompanha o crescimento da presença militar americana na região.
Até o momento, porém, não há informação de que os Estados Unidos pretendam utilizar os drones para espionar o Brasil, nem anúncio de operações dessas aeronaves dentro do território brasileiro. A espionagem aparece como um temor relatado por integrantes do governo brasileiro, e não como objetivo declarado pelos Estados Unidos.
Governo também enxerga possível efeito positivo
A avaliação brasileira não é exclusivamente negativa.
Fontes do governo ouvidas pela CNN afirmaram que, caso a atuação americana permaneça restrita ao combate ao tráfico de drogas, ela também poderá trazer efeitos considerados positivos para o Brasil.
A avaliação é que operações contra organizações criminosas em países vizinhos podem dificultar a atuação de grupos que mantêm conexões com facções brasileiras.
A CNN também questionou integrantes do governo sobre a possibilidade de o próprio Brasil solicitar esses equipamentos aos Estados Unidos. Segundo as fontes consultadas, não houve, inicialmente, conversas nesse sentido.
O que é o MQ-9 Reaper?
O MQ-9 Reaper está muito distante dos pequenos drones utilizados para filmagens ou atividades recreativas.
Trata-se de uma aeronave militar não tripulada de grande porte e longa autonomia, empregada pelos Estados Unidos em diferentes tipos de missões. O equipamento pode ser utilizado para inteligência, vigilância e reconhecimento, mas também possui capacidade para transportar armamentos e executar ataques de precisão.
A combinação entre capacidade de observação persistente e poder ofensivo ajuda a explicar por que a eventual ampliação de sua presença na América do Sul está sendo acompanhada de perto.
Movimentação ainda tem pontos em aberto
O plano representa uma ampliação da capacidade militar americana disponível para operações na região, mas ainda existem questões importantes sem resposta pública.
Não está definido quantos MQ-9 serão deslocados, onde todos ficarão baseados ou exatamente quais missões serão realizadas. O Pentágono também não havia comentado oficialmente os detalhes do reposicionamento relatado pelas fontes.
Por isso, neste momento, é importante diferenciar dois fatos: os Estados Unidos estão preparando o deslocamento de drones militares para a estrutura responsável pela América do Sul, enquanto o temor de espionagem do Brasil é uma preocupação relatada por integrantes do governo brasileiro — e não uma missão americana confirmada.
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Fonte:
https://minasemdia.com.br
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